quarta-feira, 18 de março de 2026

Comentário sobre partes do livro "Lições de arquitetura"

    Ao ler o trecho do prefácio me atentei principalmente a parte em que o autor fala sobre nossas referências pessoais, e que é comum aos arquitetos (e a outros profissionais) a tentativa de "esconder" ou aparentar ser completamente original no seu trabalho. Após postular isso, o autor ressalta que esse ato torna o projeto nebuloso, e finaliza dizendo que a riqueza da experiência adquirida dos contextos do estudo de referências e da prática são determinantes no resultado. Essa lógica é clara e é ideal para começar o livro, visto que o Hertzberger também será referência para outros diversos estudantes da área, e desmistificar a ocultação de referências e escrever que todo projeto independentemente da vontade do arquiteto irá se basear em diversas experiências passadas durante a vida, certamente é uma forma de clarear o processo do inicio dos estudos em qualquer área. Além disso existe certa transparência e alívio em perceber, principalmente para si mesmo, que nosso conjunto de observações adquiridas de outras pessoas se acumula, e a partir disso, podemos escolher qual caminho tomar, assim como ele fala no trecho. Já sobre o público e o privado, o debate trazido sobre a polaridade do individualismo e o coletivismo abriu meus olhos sobre esse aspecto dessa "escolha" no mundo moderno, e agora após ler o trecho, pude reparar em diversos aspectos da vida a moralização dessa escolha, como se fosse algo "preto no branco", em que você ou é coletivista ou individualista, e vendo essa decisão sendo trazida a tona, existem claramente os problemas que ele comparou ao uso espaço público e privado (em uma ótima analogia), ignorando todas as nuances que existem entre esses lados polarizados. Essa análise, mesmo que pequeno me fez melhorar meu olhar crítico as contradições tão diárias que somos expostos, tanto no espaço, quanto em várias outras esferas da sociedade. No trecho de estrutura e interpretação, a coisa que eu achei mais interessante foi a comparação entre língua e fala, para a formulação e estrutura, em que um são as ideias e o outro dá forma a essas ideias e as exprime para realidade, necessariamente afetando a "regra" original (fala ou estrutura). Por fim a parte de forma convidativa me chamou a atenção a parte "toda intervenção nos ambientes das pessoas, seja qual for o objetivo específico do arquiteto, tem uma implicação social", que denota a importância social do arquiteto, e o quanto isso afeta nos espaços e pessoas que vivem aquele espaço projetado, importância essa que, no senso comum, é constantemente não ressaltada.

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